Violência, feminicídio e saúde mental | O retrato preocupante das mulheres no Brasil
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Crescem os índices de agressões e assassinatos, enquanto depressão e ansiedade atingem mulheres em proporções alarmantes
O Brasil convive com uma realidade que se repete ano após ano: a violência contra a mulher segue em patamares elevados, e seus reflexos ultrapassam as estatísticas criminais. Eles se estendem à saúde mental, ao ambiente familiar e à autonomia feminina.
Dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registra mais de 1.400 feminicídios por ano, mantendo média superior a três mulheres assassinadas por dia em razão de gênero. A maior parte dos crimes ocorre dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-companheiros.
Além dos casos extremos, os números de violência doméstica permanecem altos. Milhares de mulheres registram agressões físicas, ameaças e violência psicológica anualmente. Especialistas alertam que o feminicídio, em muitos casos, é o desfecho de um ciclo de abusos que poderia ter sido interrompido com intervenção precoce.
Paralelamente, os impactos na saúde mental são significativos. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que as mulheres apresentam índices de depressão e ansiedade cerca de duas vezes maiores que os homens. No Brasil, transtornos de ansiedade afetam milhões de mulheres, muitas vezes associados a sobrecarga emocional, violência, insegurança econômica e responsabilidades acumuladas.
A exposição contínua a situações de ameaça, controle e desvalorização contribui para quadros de estresse crônico, insônia, síndrome do pânico e depressão. O medo constante também altera rotinas: mulheres mudam trajetos, evitam determinados horários e reorganizam suas vidas em função da própria segurança.
Especialistas defendem que enfrentar o feminicídio não é apenas questão de endurecer penas, mas de fortalecer políticas públicas integradas. Isso inclui educação para igualdade de gênero, proteção eficaz às vítimas, funcionamento ágil de medidas protetivas e ampliação da rede de apoio psicológico.
A saúde mental também precisa ser tratada como parte da política de enfrentamento à violência. Mulheres em situação de risco necessitam de acolhimento, acompanhamento terapêutico e suporte social para romper ciclos abusivos.
A violência de gênero não é fenômeno isolado. Ela dialoga com desigualdade estrutural, cultura de posse e naturalização do controle sobre o corpo e as decisões femininas.
Enquanto os números permanecem elevados, o desafio é transformar indignação em política consistente. Porque cada estatística representa uma vida interrompida ou marcada por medo constante.
Enfrentar a violência contra a mulher exige ação institucional, mudança cultural e compromisso coletivo. O custo da omissão já está alto demais.

