Pesquisa do GDF sobre violência contra a mulher é um passo que não pode parar
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Levantamento do IPDF busca mapear a realidade de milhares de mulheres no DF, mas o desafio está em transformar dados em proteção concreta
Por Janna Machado
A nova pesquisa lançada pelo Governo do Distrito Federal, por meio do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPDF), tem potencial para se tornar um divisor de águas no enfrentamento à violência contra a mulher. Ouvir 5 mil pessoas em 35 regiões administrativas é mais do que um esforço técnico, é um gesto político, social e moral de reconhecimento de que o problema é real, cotidiano e, muitas vezes, silencioso.
Mas há um ponto crucial, pesquisar é só o primeiro passo. O desafio começa quando os números se transformam em políticas efetivas, quando o diagnóstico vira ação concreta e o dado estatístico se traduz em proteção no território.
Os relatórios e gráficos que virão do IPDF podem e devem servir como bússola para o governo identificar onde o ciclo da violência é mais cruel, quais perfis de vítimas são mais expostos e onde a rede de proteção falha. A partir disso será possível direcionar investimentos para abrigos, centros de acolhimento, delegacias especializadas e capacitação de profissionais da ponta.
A violência de gênero não se combate com discursos, mas com presença do Estado, educação desde cedo e resposta rápida quando a mulher tem coragem de denunciar. O mapeamento da violência precisa vir acompanhado de campanhas permanentes nas escolas, nas redes sociais e nos meios comunitários, porque a prevenção nasce na informação.
Mais do que números, essa pesquisa traz à tona a urgência de olhar o problema com política pública e empatia humana. É inadmissível que, em pleno 2025, mulheres sigam sendo silenciadas pelo medo, pela dependência financeira ou pela falta de atendimento eficiente.
O GDF acerta ao iniciar o levantamento, mas deve ser cobrado para manter continuidade, transparência e resultados práticos. De nada adianta um retrato bem tirado se o cenário retratado continuar o mesmo.
Essa pesquisa não pode ser apenas mais um relatório arquivado, precisa ser um instrumento de transformação social, capaz de garantir que cada dado coletado se converta em segurança, autonomia e dignidade para as mulheres do Distrito Federal.

