Hospital Veterinário de Fauna Silvestre atende primeiros animais feridos por incêndios florestais em 2025
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Com técnica inovadora de tratamento usando pele de tilápia, equipe cuida de tamanduá e jabuti resgatados em áreas atingidas pelo fogo
O Distrito Federal já começa a sentir os impactos da temporada de incêndios florestais. E os primeiros a sofrer são, mais uma vez, os animais silvestres. Neste início de agosto, o Hospital Público de Fauna Silvestre, localizado no Zoológico de Brasília, atendeu os primeiros casos graves de queimaduras entre a fauna local: um tamanduá-bandeira em estado crítico e um jabuti em fase de reabilitação.
Os animais foram resgatados por equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Brasília Ambiental em áreas afetadas por focos de incêndio. Levados ao hospital, passaram por avaliações clínicas e exames de imagem, e começaram a receber um tratamento inovador: curativos biológicos com pele de tilápia — uma técnica que tem ganhado destaque no Brasil pelo alto índice de sucesso na cicatrização de feridas.
A pele de tilápia, rica em colágeno e de alta resistência, forma uma espécie de segunda pele sobre a área lesionada, acelerando o processo de recuperação e reduzindo a dor. O método também minimiza a necessidade de trocas frequentes de curativos, o que é especialmente importante em animais silvestres que precisam evitar o estresse excessivo.
“É uma técnica que estamos utilizando com muito cuidado e responsabilidade, sempre visando o bem-estar do animal e a possibilidade de reintegração à natureza”, explicou um dos veterinários responsáveis pela unidade.
A estrutura do hospital, inaugurado em 2024, permite atendimento especializado 24 horas por dia e é considerada a primeira do tipo no Brasil dedicada exclusivamente à fauna silvestre. A unidade já ultrapassou a marca de 2.500 atendimentos desde sua abertura e se consolida como referência nacional no resgate e reabilitação de animais vítimas de atropelamentos, tráfico, queimadas e outras ameaças ambientais.
Além do tratamento médico, os animais recebem alimentação adequada, acompanhamento comportamental e cuidados para evitar o imprinting — processo que pode comprometer o retorno ao habitat natural.
Com a chegada do período seco e o aumento dos focos de incêndio no Cerrado, o GDF reforça a importância da denúncia de queimadas ilegais e do cuidado com áreas de mata. O resgate e reabilitação de animais feridos faz parte de um esforço conjunto entre o Zoológico de Brasília, Brasília Ambiental, Secretaria do Meio Ambiente, Ibama e Corpo de Bombeiros.
Fonte: Agência Brasília