Fogos de artifício não combinam com bares e boates

Published On: 12/01/2026 16:54

Compartilhar

Entre espetáculo e irresponsabilidade, a linha que mata é curta

Há coisas que parecem óbvias, mas insistem em ser ignoradas. Fogos de artifício dentro de bares e boates são uma delas. Não é ousadia, não é inovação, não é entretenimento moderno. É risco puro, simples e previsível.

Ambientes fechados já nascem perigosos por definição: pouca ventilação, iluminação baixa, gente aglomerada, álcool circulando e reflexos comprometidos. Quando alguém decide acrescentar fogo a essa equação, o resultado não é surpresa é tragédia anunciada. Basta uma faísca mal direcionada, um material inflamável no teto, uma saída de emergência bloqueada, e o show vira pânico.

O argumento do “todo mundo faz” não se sustenta. Também já se fumava em aviões, dirigia-se sem cinto e ignorava-se limite de lotação. A história mostra que normas de segurança quase sempre surgem depois que alguém morre. Fogos em ambientes fechados seguem exatamente esse roteiro macabro.

Há ainda um ponto pouco debatido: responsabilidade. Quando algo dá errado, não é o fogo que responde à Justiça. São donos de estabelecimentos, produtores de eventos, equipes técnicas e autoridades que fecharam os olhos. O problema não é falta de regra é excesso de tolerância com o risco em nome de likes, vídeos virais e segundos de euforia.

A cultura do espetáculo precisa aprender um limite básico: diversão não pode flertar com a morte. Um bar ou uma boate existe para reunir pessoas, não para testá-las em simulações reais de incêndio. Segurança não é inimiga da festa; é o que permite que ela termine bem.

Ignorar isso é escolher repetir erros já conhecidos. E toda vez que a música para por causa de uma tragédia, fica claro que o preço do improviso foi alto demais. Fogos pertencem ao céu aberto. Em locais fechados, eles não iluminam eles condenam.

Faça um comentário