Ex-padre de Araras tem pena reduzida por abuso sexual de menores
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Pedro Leandro Ricardo, afastado da Igreja em 2022, continua recorrendo em liberdade após decisão que diminuiu sua condenação para 10 anos
A trajetória judicial do ex-padre Pedro Leandro Ricardo, figura central em um dos casos mais polêmicos de abuso sexual envolvendo membros da Igreja no interior de São Paulo, ganhou um novo capítulo. Condenado por abusar de dois menores de idade quando atuava em Araras (SP), ele teve a pena reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo de 21 para 10 anos e seis meses de prisão.
A decisão da segunda instância reavaliou um dos crimes, inicialmente enquadrado como atentado violento ao pudor, e o reclassificou como importunação ofensiva ao pudor — um delito de menor gravidade, que acabou prescrito. A condenação relacionada ao abuso de um adolescente de 14 anos, no entanto, foi mantida.
Mesmo com a condenação vigente, Pedro Leandro segue em liberdade, amparado por recursos pendentes. As tentativas de levar o caso às instâncias superiores — STJ e STF — foram negadas recentemente, consolidando a sentença atual como referência jurídica para o cumprimento da pena, embora o processo ainda não tenha transitado em julgado.
O ex-religioso já havia sido expulso do estado clerical em 2022, por decisão direta do Papa Francisco, após denúncias semelhantes em outras paróquias pelas quais passou. A repercussão do caso provocou indignação entre fiéis e reforçou o debate sobre a responsabilização de autoridades religiosas acusadas de crimes sexuais.
A situação de Pedro Leandro, que ganhou notoriedade na região como figura influente da Igreja, levanta questionamentos sobre a efetividade da justiça em casos de violência sexual e sobre a proteção das vítimas dentro de instituições religiosas.
Imagen: CBN Campinas